terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Faltam Bons Profissionais no Mercado. Onde está o problema?

Segundo matéria publicada pela BBC Brasil (28/01/2011), as Empresas brasileiras enfrentam dificuldade para preencher vagas de Executivos-chefes e diretores de empresas, o que tem elevado de modo significativo a remuneração desses profissionais no mercado de São Paulo, mais do que em cidades como Nova York, Londres, Cingapura e Hong Kong, conforme  revelam pesquisas recentes feitas pela associação executiva AESC e pela empresa de recrutamento Dasein.

O crescimento experimentado pelo país nos últimos anos gerou uma explosão na demanda por profissionais de alto nível, especialmente de Administradores e Engenheiros. A Economist cita que, enquanto o Brasil é capaz de formar cerca de 35 mil engenheiros por ano, a China forma 400 mil e a Índia, 250 mil por ano.

Esses dados descrevem a gravidade do quadro brasileiro: formamos poucos profissionais e, o que é ainda pior, formamos mal.

No que se refere aos Administradores, vejo que as Universidades e Faculdades estão "despejando" no mercado de trabalho profissionais completamente despreparados para atender à demanda do mercado. Vejo muitos alunos cursando ensino superior apenas para terem um diploma. Eles agem como se o diploma, por si só, fosse capaz de torná-los profissionais qualificados.
Muitos assumem que não possuem qualquer pretensão de atuarem como Administradores. Na verdade suspeito que o fato de haver cursado o ensino superior e haver obtido um diploma de Administrador, não provoca qualquer alteração relevante na vidas de muitos jovens. Observo que muitos nem mesmo trocam de emprego ou obtém qualquer incremento na remuneração. Suas realidades simplesmente se mantém inalteradas. É como se os quatro anos de faculdade simplesmente não houvessem existido.

Neste contexto, os poucos Administradores que de fato se tornam profissionais bem sucedidos, são disputados por empresas de todos os seguimentos, nacionalidade e tamanho e tem seu "passe" cotado à peso de ouro. Quando aos demais, restará apenas ocupar posições que não exigem grandes talentos e que oferecem remunerações insignificantes.

Vejo falhas em todos os lados. A sociedade que incentiva e valoriza o diploma, ainda que o mesmo tenha perdido a sua habitual relação com a competência e capacitação. O governo que não força suficientemente a melhoria da qualidade por meio da adoção de medidas como a anotação da nota da faculdade (ENEM) no diploma dos alunos, por exemplo. As faculdades que se engalfinham numa guerra de preços deplorável que tem deteriorado gradativamente a qualidade da educação prestada e desmotivado os bons professores. Os conselhos Federal  (CFA) e Regional (CRA) que focam a arrecadação fácil e, por isso, não se empenham em criar mecanismos de controle da qualidade dos profissionais de Administração, controles esses que poderiam ser baseados na experiência do exame da OAB.

Pessoalmente não gosto da ideia de que o aluno não seja capaz de compreender a importância da qualidade de sua formação, de tirar o melhor proveito dos quatro anos de faculdade, de buscar as condições necessárias para transformar sua própria realidade. Prefiro a tese de que ele apenas reage conforme o incentivo que recebe do meio (sociedade, governo, universidades, conselhos etc).

Enquanto essa situação persistir, apenas nos restará aceitar o fato de que a profissão de Administrador continuará a ser mal vista, desprestigiada,  que continuará havendo déficit de profissionais de alto desempenho e que o país continuará desperdiçando a oportunidade de de se tornar um país desenvolvido.

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