sexta-feira, 22 de julho de 2011

Notícias de Aracaju

Já estou em Aracaju-SE desde o dia 05, mas ainda estou em processo de adaptação. Apenas há dois dias conseguimos nos mudar para a casa, apesar dela ainda estar em reforma.

A internet é 3G da Vivo (muito ruim) e são pouquíssimas as outras opções disponíveis. Ainda não instalei o computador, mas o netbook da minha esposa e o meu Galaxy S tem ajudado.

Espero poder voltar à rotina (do site www.professorsandrots.com.br e do blog) o mais breve possível.

terça-feira, 28 de junho de 2011

A Evolução da Educação no Brasil

Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia...
Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas
Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes de iniciar as aulas...

Leiam o relato de uma Professora de Matemática:

"Semana passada, comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais
moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina
registradora, aparentemente sem saber o que fazer.
 

Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se
convenceu e chamou o gerente para ajudá-la.
 

Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela
aparentemente continuava sem entender.
 

Por que estou contando isso?
 

Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi
assim:

1. Ensino de matemática em 1950:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda.
Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. Qual é o
lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

5. Ensino de matemática em 2000:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
( )SIM ( ) NÃO


6. Ensino de matemática em 2009:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler, coloque um "X" no R$ 20,00.
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

E se um aluno resolver pichar a sala de aula e a professora fizer com que
ele pinte a sala novamente é bem possível que os pais fiquem enfurecidos e aleguem que a professora provocou traumas na criança.
"


A figura abaixo retrata bem a inversão de valores que observo na nossa sociedade. Parece que estamos perdidos sem saber direito o que é "certo" e o que é "errado".

Um país só tem futuro se a educação for uma prioridade de cada indivíduo, de cada família, da sociedade e do governo. A responsabilidade é de todos nós.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Faltam Bons Profissionais no Mercado. Onde está o problema?

Segundo matéria publicada pela BBC Brasil (28/01/2011), as Empresas brasileiras enfrentam dificuldade para preencher vagas de Executivos-chefes e diretores de empresas, o que tem elevado de modo significativo a remuneração desses profissionais no mercado de São Paulo, mais do que em cidades como Nova York, Londres, Cingapura e Hong Kong, conforme  revelam pesquisas recentes feitas pela associação executiva AESC e pela empresa de recrutamento Dasein.

O crescimento experimentado pelo país nos últimos anos gerou uma explosão na demanda por profissionais de alto nível, especialmente de Administradores e Engenheiros. A Economist cita que, enquanto o Brasil é capaz de formar cerca de 35 mil engenheiros por ano, a China forma 400 mil e a Índia, 250 mil por ano.

Esses dados descrevem a gravidade do quadro brasileiro: formamos poucos profissionais e, o que é ainda pior, formamos mal.

No que se refere aos Administradores, vejo que as Universidades e Faculdades estão "despejando" no mercado de trabalho profissionais completamente despreparados para atender à demanda do mercado. Vejo muitos alunos cursando ensino superior apenas para terem um diploma. Eles agem como se o diploma, por si só, fosse capaz de torná-los profissionais qualificados.
Muitos assumem que não possuem qualquer pretensão de atuarem como Administradores. Na verdade suspeito que o fato de haver cursado o ensino superior e haver obtido um diploma de Administrador, não provoca qualquer alteração relevante na vidas de muitos jovens. Observo que muitos nem mesmo trocam de emprego ou obtém qualquer incremento na remuneração. Suas realidades simplesmente se mantém inalteradas. É como se os quatro anos de faculdade simplesmente não houvessem existido.

Neste contexto, os poucos Administradores que de fato se tornam profissionais bem sucedidos, são disputados por empresas de todos os seguimentos, nacionalidade e tamanho e tem seu "passe" cotado à peso de ouro. Quando aos demais, restará apenas ocupar posições que não exigem grandes talentos e que oferecem remunerações insignificantes.

Vejo falhas em todos os lados. A sociedade que incentiva e valoriza o diploma, ainda que o mesmo tenha perdido a sua habitual relação com a competência e capacitação. O governo que não força suficientemente a melhoria da qualidade por meio da adoção de medidas como a anotação da nota da faculdade (ENEM) no diploma dos alunos, por exemplo. As faculdades que se engalfinham numa guerra de preços deplorável que tem deteriorado gradativamente a qualidade da educação prestada e desmotivado os bons professores. Os conselhos Federal  (CFA) e Regional (CRA) que focam a arrecadação fácil e, por isso, não se empenham em criar mecanismos de controle da qualidade dos profissionais de Administração, controles esses que poderiam ser baseados na experiência do exame da OAB.

Pessoalmente não gosto da ideia de que o aluno não seja capaz de compreender a importância da qualidade de sua formação, de tirar o melhor proveito dos quatro anos de faculdade, de buscar as condições necessárias para transformar sua própria realidade. Prefiro a tese de que ele apenas reage conforme o incentivo que recebe do meio (sociedade, governo, universidades, conselhos etc).

Enquanto essa situação persistir, apenas nos restará aceitar o fato de que a profissão de Administrador continuará a ser mal vista, desprestigiada,  que continuará havendo déficit de profissionais de alto desempenho e que o país continuará desperdiçando a oportunidade de de se tornar um país desenvolvido.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Educação x Desenvolvimento

É possível encontrarmos exemplos de nações que há cinquenta anos não passavam de países sem qualquer expressão mundial e que elaboraram um audacioso plano de desenvolvimento baseado em investimentos maciços (não apenas financeiros) em educação e que agora despontam com importantes players do cenário globalizado. A Coreia do Sul é um bom exemplo disto que escrevo.

Quadro atual da educação no Brasil: 

As escolas públicas (com raras exceções) são sinônimos de educação decadente e isso não de hoje. Os professores dessas escolas (com raríssimas e louváveis exceções) entram para o magistério em busca de uma escora para para sustentar-lhes o comodismo e o descompromisso com a educação e com a coisa pública.

As escolas particulares despontam como única alternativa aos que não abrem mão de oferecer à sua prole uma educação de alto desempenho, afinal, aceitamos pagar caro na esperança de que os serviços oferecidos sejam compatíveis e adequados. Ocorre que (em Brasília) as escolas particulares que oferecem educação infantil pagam salários que giram em torno de R$ 650,00 para as professoras. Na maioria dos casos, o valor de duas mensalidades cobre integralmente os custos com o professor. O Estadão publicou matéria intitulada: Cai interesse por ensinar crianças, na qual levanta a questão da valorização do professor, especialmente no caso da educação infantil, que se submete a quatro anos de estudos para se tornar pedagogo e encontra um mercado de trabalho que lhe oferece uma remuneração vergonhosa como a citada acima. A questão que resta é: será que esse professor reúne as condições básicas (motivação, interesse, pesquisa, atualização, compromisso) para oferecer uma boa educação aos nossos filhos? Tenho certeza que a resposta é NÃO!

É verdade que hoje temos quase todas as nossas crianças e jovens na escola. Isso é uma avanço, mas será que ter mais jovens e crianças nessas "escolas". Penso que apenas teremos mais gente despreparada, mas com diploma nas mãos.

Se já constatamos um déficit de profissionais qualificados disponíveis no mercado, imagine o que será quando as crianças e jovens estudantes de hoje entrarem no mercado! Será uma verdadeira tragédia! Não haverá profissionais disponíveis e isso resultará na estagnação da nossa economia. Estamos formando Engenheiros, Advogados, Administradores para serem vendedores de lojas!

Cabe ressaltar que esse não é um problema apenas do governo. A sociedade, de uma forma geral, tem negligenciado essa questão e parece não se interessar por ela. Assim, como no caso de muitos desastres aéreos, não há apenas uma causa para o desastre na nossa educação. O que existe é uma sucessão de falhas que cobrará um alto preço de todos nós.

Que futuro podemos esperar para o Brasil?